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domingo, 28 de fevereiro de 2010

Biblioteca

Em 1913, B.P. publicou um livro intitulado "Boy Scouts Beyond the Seas: My World Tour". Este serviu como um relato das viagens que efectou nos primeiros anos de Escutismo, enquanto fazia visitas às diversas organizações escutistas que foram surgindo imediatamente a seguir a Brownsea. Da América à China, do Japão à África do Sul, B.P. descreve alguns dos episódios que mais o marcaram. Tal como ele relata: "não consigo descrever a amizade e cordialidade com que fui recebido..." Ao longo do livro vão sendo descritas as peripécias vividas por Baden-Powell com escuteiros de todo o mundo. Numa dessas passagens, descreve: "...Na Dinamarca os Escuteiros eram muitos em número e bastante eficazes no seu trabalho. Os de Copenhaga organizaram uma festa em minha honra e cerca de vinte Patrulhas fizeram uma desfile com demonstrações práticas escutistas de muito bom nível. Eles pareceram muito bons, especialmente na parte da cozinha..." "...Também estavam presentes duas Patrulhas de Guias que desfilaram e cozinharam com os restantes. O que se passou foi que, quando comecei a provar os primeiros pratos, vi-me obrigado a provar todos os outros! Quando chegou a altura do jantar oficial à noite, tinha já provado tanto que não fui capaz de comer nada! Quando nos despedimos à noite, os Escuteiros e Guias fizeram uma avenida com as suas varas cruzadas por cima das cabeças, por onde tive de passar com o meu carro..." O livro termina com uma reflexão de Baden-Powell, dirigida aos Escuteiros ingleses, acerca da universalidade do Movimento e o que ele antevia para o futuro. "... Assim, podem ver que os Escuteiros estrangeiros estão a fazer o mesmo trabalho e a utilizar o mesmo uniforme que vós. Somos todos uma grande Fraternidade. Tudo começou por ser Britânico, e estendeu-se às colónias britânicas pelo Mundo. A seguir, o Escutismo começou a ser adoptado pelos rapazes de outras nações até que, neste momento, quase todas as nações tem uma pequena parte desta Fraternidade. E é a nossa função tentar fazer desta Fraternidade uma realidade, de maneira a que todas as Nações possam ser amigas nos anos vindouros."

domingo, 1 de novembro de 2009

"Tuit"-adas do Mocho

- A "universidade" a mexer...

- Serviço internacional em ambiente de festa...

- Para quem precisa de recursos para trabalhar...

- E que tal mais um amigo na nossa lista?

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Biblioteca - Gilcraft



Hoje não vou falar de um, mas de vários livros.

A série "Gilcraft" foi criada por Francis Gidney, um dirigente que rapidamente se tornou um grande amigo de Baden-Powell (que se referia a ele como o "Homem-Rapaz", dado o seu bom humor e espirito jovem).



Em 1919, Gidney foi nomeado Chefe de Campo de Gilwell, tendo ajudado a criar o primeiro curso da insígnia de madeira...



Apesar de ter estado apenas 4 anos como Chefe de Campo, revolucionou completamente o modo como a formação era feita. Nesse sentido, criou uma série de livros intitulados "Gilcraft" (o seu pseudónimo literário) com a ajuda de vários dirigentes da altura.

A lista final inclui 22 livros (com mais algumas adições posteriores) sobre os mais variados temas. O primeiro livro intitula-se "Actividades para tempos livres" (Spare Time Activities), que fala de todo o tipo de actividades: desde preparar uma fogueira sem fósforos a ideias para decorar a vara escutista e construção de mobília de campo.



A partir daí, foram abordados todos os temas que eram considerados essenciais para a boa formação dos Dirigentes: Jogos Escutistas (Gilcraft Book of Games), Pioneirismo (Gilcraft Preparing the way: pioneering), Caminheiros (Gilcraft Rover Scouts) e muitos mais...

A lista de publicações continuou muito depois da sua morte, em 1928, como consequência dos ferimentos que recebeu quando foi para a I Guerra Mundial.

A importância de Gidney para o Escutismo não pode ser subestimada. Foi ele o criador do lenço de formador, com a sua cor característica e símbologia. Segundo Baden-Powell, "foi ele que começou o treino de Dirigentes na direcção certa e criou as fundações para o espírito de Gilwell".

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Biblioteca

Em 1938, foi publicado o livro "Aves e Animais em África" (Birds and Beasts in Africa). Este livro contém uma série de histórias acerca dos animais que B.-P. teve oportunidade de conhecer durante os muitos anos em que viveu em África. Tem também um conjunto de pequenos apanhados acerca da vida local e das actividades que B.-P. tinha oportunidade de fazer enquanto passeava.


Uma das características que mais gosto no livro tem a ver com as pinturas que B.-P. fez enquanto esteve alojado em Paxtu e que partilha com os leitores. As várias pinturas incluem:

uma vista do Monte Quénia ao fundo


uma vista do mercado local


uma pintura da casa de B.-P.



uma vista a partir da varanda da casa de B.-P.

Cada uma das pinturas tem uma pequena história associada, que ajuda a colocar em contexto o que se vê... Além disso, o livro também tem alguns dos famosos desenhos a preto e branco com que B.-P. ilustrava os seus livros... Sem dúvida que vale a pena passar os olhos por este livro!

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

biblioteca

O livro de hoje foi o penúltimo escrito por B.-P., já aos 82 anos de idade em Paxtu, a sua moradia final, no Quénia. Em muitos aspectos, este livro parece fazer um compêndio de muitas das coisas que foi escrevendo ao longo da sua vida. Na sua capa podemos observar uma imagem de um explorador a remar a sua própria canoa!
B.-P. explicou, mais tarde, que que esta escolha de título serviu como uma mensagem para todos os Escuteiros, mas que seria mais adequada para outro dos seus livros - "A caminho do Triunfo" (Rovering to Success) - que descreve uma viagem de canoa num dos seus capítulos.

Durante o livro Baden-Powell tenta passar a mensagem aos Escuteiros de que devem estar preparados para tratarem de si mesmos. Ao contrário dos livros anteriores, este livro é especificamente escrito para um público mais jovem, com recurso a desenhos mais "humorísticos".

O facto de ter sido publicado em 1939 também faz com que haja uma preocupação óbvia com o ambiente tenso pré-Segunda Guerra Mundial. Isto fica bem claro nos conselhos enviados aos leitores acerca do "Dever do Serviço".

"Certa vez tive um exercício de natação para homens e cavalos com o Regimento. Como é óbvio, apenas homens que soubessem nadar deviam participar. Para nosso horror e espanto, um dos homens quase se afogou. Quando ele foi assistido e reanimado, perguntamos-lhe se sabia nadar. Ele repondeu "Não", mas como todos os outros pareciam conseguir ele foi atrás e descobriu que não conseguia!

Se quiseres ter sucesso na tua vida, tens de saber ler e escrever e não o consegues sem antes ir à escola para aprender. Do mesmo modo, se quiseres ser uma pessoa útil e salvar vidas ou fazer serviço público, tens de aprender e praticar antes, tornando-te um Escuteiro.

Estou muito contente que, em todo o lado, os Escuteiros estão a preparar-se para serem úteis caso sejam chamados ao Serviço".

Estou, neste momento, a fazer a tradução do livro para português... Com tempo e alguma paciência, se houver interessados posso colocá-lo online.

Oficina do Mocho - Jogos

O primeiro jogo desta rubrica foi publicado pela primeira vez no livro escrito por B.-P. intitulado "Jogos para Escuteiros" (Scouting Games), publicado em 1910. O livro foi dividido em vários capítulos, cada um dedicado a um grupo diferente de jogos. O jogo de hoje pertencia à categoria "Jogos Escutistas" e chama-se "Números".

Números
"Este jogo é fantástico para treinar a observação e ensinar a arte de se movimentar encoberto. Cada escuteiro tem um número com três algarismos preso na frente da camisola ou do chapéu. O número deve ser escrito bem grosso e deve ser visível a uma distância de 50-100 metros. O grupo é dividido da seguinte forma: duas ou três Patrulhas são colocadas a 300 m do campo e instruídas a avançar sem serem vistas.
Dado que o trabalho de defesa é mais simples que o de ataque, apenas uma Patrulha fica a defender o campo. Quando os atacantes avançam, os seus movimentos devem ser observados pelos defensores que, tendo escolhido um bom esconderijo (de modo a que os seus números não sejam visíveis), esperam que os atacantes avancem. Enquanto os números não forem vistos, os elementos estão fora de alcance. Quanto mais os atacantes se aproximam, mais cuidadosos devem ser de modo a que o seu número não seja visto. Como é óbvio, um bom escuteiro espreita sempre pelo lado dos obstáculos e não pelo cimo de um arbusto ou rocha. Do mesmo modo, ele deve estar sempre atento, pois não se podem tirar os chapéus nem tapar o número de qualquer forma. Se os defensores conseguirem ver o número, eles gritam-no e o árbitro escreve-o num papel. Os atacantes também podem gritar os números dos defensores que se mostrarem, sendo os mesmos anotados pelo árbitro. Quando as patrulhas estiverem separadas por menos de 50 metros, os árbitros devem nomear os nomes dos que foram atingidos, sendo estes retirados da batalha. Quando o comandante dos atacantes achar que já estão suficientemente perto, ele dá a ordem de “Carga” e os atacantes avançam o restante espaço a correr, enquanto os defensores devem gritar o maior número possível de números que conseguirem. Se os atacantes atingirem o campo com mais homens que os defensores sobreviventes, os primeiros ganham o jogo. No entanto, se a carga final for um desastre e os atacantes forem apanhados, os defensores ganham a batalha".

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

biblioteca

Continuando pelo livro "B-P`s Outlook", desta vez algumas palavras dedicadas aos Guias de Patrulha...

"Os melhores progressos são alcançados naqueles Grupos onde o poder e a responsabilidade são realmente postos nas mãos dos Guias de Patrulha. É o segredo do sucesso de muitos Chefes, que conseguem ter meia dúzia de Guias de Patrulha a fazerem realmente o seu trabalho, como se fossem Chefes Adjuntos. Os Chefes têm assim mais facilidade em promover o aumento dos efectivos nos seus Grupos, começando novas Patrulhas ou angariando aspirantes para as que já existem. Cria grandes expectativas em relação aos teus Guias de Patrulha, e nove em dez vezes eles estarão à altura; mas se andares sempre a tomar conta deles, e a não confiares que façam as coisas bem, nunca conseguirás que façam as coisas por sua iniciativa".


Baden-Powell, Junho 1910

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

biblioteca

Em 1941 a Boy Scouts Association do Reino Unido reuniu, num único volume, um conjunto de citações e escritos de Baden-Powell para a revista "Scouter". O objectivo seria o de "criar um registo permanente dos seus escritos, não apenas para aqueles que lembram o seu auxílio com gratidão mas também para beneficiar todos os virão a seguir e precisam de encorajamento". Esse livro ficou conhecido como "BP`s Outlook". Fica abaixo transcrita uma pequena parte. "Num acampamento muito pode ser feito pelo exemplo. Vivemos junto dos jovens, somos observados e imitados inconscientemente por eles e, provavelmente, sem nos aperceber-mos disso. Se somos preguiçosos, também eles o serão. Se fizermos da limpeza uma obrigação também eles o farão. Se formos engenhosos a criar utensílios de campo, eles tentarão imitar-te, e por aí fora... Mas não façam o que deve ser feito pelos jovens. Deixem que sejam eles a fazê-lo: "quando queres uma coisa feita, não o faças tu próprio"; este deve ser o teu lema. Quando é necessário dar uma ordem, o segredo para que te obedeçam é que te expresses da maneira mais simples e fácil possível. Se juntares ao pedido uma explicação da razão para que o necessitas, a ordem será levada a cabo com mais vontade e inteligência. Se, além disto, juntares ainda um sorriso, tudo será feito com entusiasmo. Lembra-te que "um sorriso leva-te duas vezes mais longe que um rosnar". Uma palmada nas costas é um estímulo mais forte que um empurrão desajeitado. Espera muito dos teus jovens e, por norma, irás recebê-lo".

Baden-Powell Setembro, 1911



Muitas destas pequenas mensagens contêm algo que se mantem vivo passados quase 100 anos. Dentro em breve colocarei mais alguns extractos dos (vários) livros que Baden-Powell escreveu ao longo da sua vida.